A imagem de crianças mortas, mães chorando sobre o túmulo de seus filhos, uma arma apontada para uma mãe grávida com os dizeres “1 tiro, 2 mortos”, uma mãe chorando com o bebê nos braços e um ursinho abaixo e os dizeres: “Melhor usar Durex”. No caso, todas as vítimas são árabes palestinos.
As cenas são cruéis. Mas soldados israelenses as fazem sob encomenda. Inventam um desenho, um slogan e estampam camisas com as quais costumam treinar nos quartéis. Chega a ser inevitável, numa guerra, o surgimento de um sentimento de vingança e ódio mútuo. O problema é que os soldados parecem que estão esquecendo contra quem estão lutando. Eles estão lutando (ou deveriam) contra combatentes, paramilitares ou não. É o mínimo de humanismo, mesmo numa guerra, enfrentar apenas quem lhe ameaça, no caso, integrantes do exército inimigo. Mas uma mãe e um bebê?
Talvez você retruque algo como: “Ah, mas a mãe do soldado inimigo apóia seu filho” ou “A mãe irá criar um filho para combater o inimigo”. Ainda assim, não constitui crime! Há mães que perdoam os filhos até mesmo depois de serem maltratadas por estes! É claro que uma mãe palestina ficará do lado do seu filho, assim como uma mãe israelense fica do lado do seu mesmo sabendo que ele está lá no campo matando dezenas de pessoas, inclusive inocentes. Então é algo que não podemos aceitar. Não podemos perder mais este resquício daquilo que nos torna humanos, que nos diferencia dos demais animais e que nos permite fazer um mundo melhor para todos: nossa humanidade. Não podemos achar normal uma monstruosidade dessas. Assistimos à desconstrução de valores básicos para vivermos neste mundo, que é o respeito à vida (ainda mais de inocentes).
Isso mostra que estes soldados matarão inocentes sem titubear e ainda sentir-se-ão orgulhosos disso! E aí quando vier a imprensa e falar que os israelenses estão matando inocentes em suas incursões avassaladoras sobre a Faixa de Gaza, enquanto o governo nega, em quem irão acreditar? Quer ver?
Recentemente, o relator especial da ONU os Direitos Humanos, Richard Falk, acredita que há razões suficientes para concluir que a ofensiva israelense na Faixa de Gaza é um crime de guerra de grande magnitude porque não poderia ser realizada se não era possível distinguir os objetivos civis dos militares. Advinha qual foi a reação do governo de Israel? Fazer-se de vítima, de perseguido, de coitado, de inocente:
"Infelizmente, trata-se de um exemplo a mais de uma atitude unilateral, parcial e injusta do Conselho deDireitos Humanos da ONU em relação a Israel", declarou à AFP Mark Regev, porta-voz do atual primeiro-ministro, Ehud Olmert.
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