terça-feira, 20 de março de 2012
Dionísio era o deus protetor do teatro. Em sua honra faziam-se ditirambos e festas dionisíacas, as quais tiveram grande influência nas atividades teatrais na Grécia Antiga.
Nas origens do teatro grego, o ditirambo era um coral que executava músicas de caráter apaixonado, alegre e/ou sombrio, constituído de uma parte narrativa, recitada pelo cantor principal (corifeu), e de outra propriamente coral, executada por personagens vestidos de faunos e sátiros considerados companheiros de Dionísio, em honra do qual se prestava essa homenagem ritualística. O ditirambo envolvia diversas linguagens: música, teatro, poesia.... O corpo também era utilizado nestas manifestações dionisíacas. Além disto, os ditirambos de Dionísio, segundo as várias lendas, histórias e cânticos do Olimpo, eram festas com muito vinho, lazer e prazer, sendo servido pelas bacantes (ou ménades), muito semelhantes às bacanais de Baco.
Dionísio é geralmente representado sob a forma de um jovem imberbe, risonho e festivo, de longa cabeleira loira, tendo, em uma das mãos, um cacho de uvas ou uma taça e, na outra, um dardo.
Ditirambos de Dionísio (Fragmento 67)
Joga teu pesar no abismo!
Esquece, Homem! Esquece, Homem!
Divina é a arte do esquecer!
Queres voar,
Queres habitar as alturas:
Joga o que mais te pesa no mar!
Eis o mar — joga-te no mar!
Divina é a arte do esquecer!
Friedrich Nietzsche
Friedrich Nietzsche
Ditirambos de Dionísio - O perigo persiste
"Paulo quis os fins, portanto quis também os meios... O que ele mesmo não acreditava, acreditavam os idiotas aos quais lançou a sua doutrina. - Sua necessidade era o poder, com Paulo o sacerdote quis novamente chegar ao poder - ele tinha utilidade apenas para conceitos, doutrinas, símbolos com que são tiranizadas as massas, são formados os rebanhos. A esse instinto de teólogo eu faço guerra: encontrei sua pista em toda a parte. Quem possui sangue de teólogo no corpo, já tem ante todas as coisas uma atitude enviesada e desonesta. O páthos ( Pathos ) que daí se desenvolve chama a si mesmo de fé: Cerrar os olhos a si mesmo de uma vez por todas, para não sofrer da visão da incurável falsidade. Dessa defeituosa ótica em relação às coisas a pessoa faz uma moral, uma virtude, uma santidade, vincula a boa consciência à falsa visão - exige que nenhuma outra ótica possa mais ter valor, após tornar sacrossanta a sua própria, usando as palavras "Deus", "salvação", "eternidade". Desencavei o instinto de teólogo em toda a parte: é a mais disseminada, a forma realmente subterrânea de falsidade que existe na Terra. O que um teólogo percebe como verdadeiro tem de ser falso: aí tem quase que um critério da verdade: seu mais fundo instinto de conservação proíbe que a realidade receba honras ou mesmo assuma a palavra em algum ponto. Até onde vai a influência do teólogo, o julgamento de valor está de cabeça para baixo, os conceitos de "verdadeiro" e "falso" estão necessariamente invertidos: o que é mais prejudicial à vida chama-se "verdadeiro", o que a realça, eleva, afirma, justifica, e faz triunfar chama-se "falso"... Se acontece dos teólogos, através da "consciência" dos príncipes (ou dos povos --), estenderem a mão para o poder, não duvidemos do que no fundo sempre se dá: a vontade de fim, a vontade niilista quer alcançar o poder... É necessário dizer quem consideramos nossa antítese -- os teólogos e todos os que têm sangue de teólogo nas veias. O que é bom? --Tudo o que eleva o sentimento de poder a vontade de poder o próprio poder no homem. O que é mau? -- Tudo o que vem da fraqueza. O que é felicidade? -- O sentimento de que o poder cresce, de que uma resistência é superada. O problema que aqui coloco não é o que sucederá a humanidade na seqüência dos seres (-- o homem é um final --); mas sim que tipo de homem deve-se cultivar, deve-se querer, como de mais alto valor, mais digno de vida, mais certo de futuro. A humanidade não representa um desenvolvimento para melhor ou mais forte ou mais elevado, do modo como como hoje se acredita. O "progresso" é apenas uma idéia moderna, ou seja, uma idéia errada." Fredrich Nietzsche. Extraído do livro: O Anticristo : Maldição ao cristianismo : Ditirambos de Dionísio (1888).
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