terça-feira, 19 de abril de 2011

40 graus na capital e muito trabalho...

Não raro me sinto assim diante do ser humano. Por quê, pour quoi, why????

A multidão que me habitou e me fez assim como sou...

Solidão


Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear  ou fazer sexo…Isto é carência. Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar… Isto é saudade. Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos… Isto é equilíbrio. Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida… Isto é um princípio da natureza. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado… Isto é circunstância. Solidão é muito mais que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa Alma.
Francisco Buarque de Holanda

Mais Galeano...

A burocracia/3
Sixto Martínez fez o serviço militar num quartel de Sevilha. No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia por que se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita por que sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito.
E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias, que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca.   (Eduardo Galeano)
E assim continua, mesmo sem saber por que ou se algo que está sendo feito atende às necessidades do contexto, é comum ouvir: "Sempre foi assim, por que fazer diferente?" Logo, cria-se o círculo chamado vicioso, o qual ainda tem um sem número de fãs. Ah, triste ser humano...