MIL PERDÕES (CHICO BUARQUE)
Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais
Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair
Link: http://www.vagalume.com.br/chico-buarque/mil-perdoes.html#ixzz2Hdcnz9Dx
sem sentido
Impressões sobre o cotidiano e o pensamento de escritores, filósofos e artistas.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Para que serve um livro? Embora essa pergunta seja, aparentemente, descabida, nos últimos tempos até há motivos para que seja feita. Afinal, o objeto livro nunca esteve tão questionado quanto agora, no mesmo passo em que a ameaça do e-book se consolida cada vez mais. Não bastasse uma tendência lenta e crescente de falta de interesse pelo objeto e seus possíveis conhecimentos.
A Unesco, a partir de 1996, instituiu 23 de abril como o Dia Mundial do Livro. Uma homenagem a Miguel de Cervantes, o escritor espanhol que eternizou sua obra no personagem de Dom Quixote. Livros como esse, e muitos outros, permanecem e sobrevivem aos tempos, ainda que sejam seus personagens e não propriamente seu texto original.
Assim, aproveitando a comemoração universal, proponho que no dia do livro, todos comecem a ler um título. E dou minha sugestão — alguns clássicos, outros nem tanto, mas que se sobressaem pela qualidade e, até, atualidade do tema que abordam. Mas, principalmente, são livros escolhidos pela linguagem acessível, pelas história interessantes e pela capacidade de emocionar o leitor, ainda que seja um iniciante.
Cem Anos de Solidão
O colombiano Gabriel Garcia Marquez ambienta a saga de uma família numa cidade fictícia do interior da Colômbia, retratando o melhor do realismo fantástico, numa mistura singular de drama, comédia e loucura.
Metamorfose
Kafka foi um dos maiores escritores da Europa e sua história, do personagem que um dia acorda transformado numa barata gigante, marcou a literatura mundial.
Crime e Castigo
Os russos foram os grandes “inventores” do romance, o estilo literário. Dostoiévki é um deles: uma prosa intensa, coloquial, com grandes personagens.
Madame Bovari
A emancipação feminina não seria a mesma se não fosse a obra de Fleubert. A história de uma mulher, devassa e infiel, na plenitude de sua essência.
O Sol também se levanta
A obra de Hemingway é poderosa e consistente. Mas esse, um de seus primeiros romances, tem o fascínio dos tempos em que Paris era uma festa, no começo do século XX.
A Leste do Eden
John Steibeck foi autor de uma obra imensa, com título politizados, românticos e até mágicos. Essa saga de uma família no oeste americano é um dos principais romances americanos.
A Guerra do Fim do Mundo
Uma das características de Mario Vargas Llossa é ser capaz de construir uma obra homogênea, marcada pela boa qualidade. Nesse livro, ele dá a sua versão, recheada de histórias e personagens, sobre a Guerra dos Canudos, ocorrida no nordeste brasileiro.
Dona Flor e Seus Dois Maridos
A obra de Jorge Amado apresenta três núcleos básicos: o ambiente das fazendas de cacau, em Ilhéus; o discurso político e as grandes personagens femininos. Dentre eles, o mais famoso é Gabriela, mas Dona Flor é o mais divertido e inventivo.
Não Diga Noite
Amoz Oz é um escritor israelense contemporâneo. Seu grande mérito é ser capaz de erigir personagens absolutamente reais, falíveis e intensos, em ambientes tão áridos como o deserto e os fronts de batalhas, sempre de maneira poética e inspirada.
Essa é a sugestão do sítio http://revistaalfa.abril.com.br/estilo-de-vida/literatura/12756/, mas eu substituiria Jorge Amado por Érico Veríssimo e Amoz Oz por Saramago...as demais sugestões são excelentes.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A favor da eutanásia porque viver é um direito, não uma obrigação
Cerca de 3.000 pessoas por dia cometem suicídio no mundo, num total de pouco mais de 1 milhão por ano. Você e eu podemos lamentar ou relevar este dado. Talvez, soframos se algum destes suicidas for um ente querido ou amigo e podemos discordar das razões que os levaram a tal ato extremo. Mas de uma coisa ninguém poderá discordar: os suicidas estavam em seu pleno direito de tirar sua própria vida. Seja por razões físicas ou emocionais, estas pessoas conseguiram concretizar seu último grande ato de vontade própria e se livraram do sofrimento. Mas e quando as pessoas não podem se matar? E quando nós, pessoas saudáveis, somos o entrave que prolonga o sofrimento alheio por toda a eternidade de uma vida miserável?
Estamos numa sociedade com leis sabidamente alicerçada sobre preceitos religiosos, por mais que estes tenham se perdido no tempo. Um resquício disto está no fato de que a nossa vida não nos pertence. É como se ela fosse um presente de alguém que não aceita devolução antes da hora. Mas e quando este presente estragou? E quando estamos falando de um enfermo com a Síndrome de Locked-in, que se comunica com o mundo exterior apenas com o piscar de olhos (ou nem isso)? A despeito de recente pesquisa que mostra que uma parte dos portadores desta síndrome se consideram felizes, como fica a fração infeliz aprisionada dentro do próprio corpo? E quanto aos doentes terminais, principalmente por causa de câncer ou doenças degenerativas?
A mesma medicina que salva vidas, hoje, condena um enfermo a uma agonizante e tediosa espera pela morte nos leitos dos hospitais. Entra em debate a questão da eutanásia, ou seja, abreviar a vida de alguém de maneira controlada, assistida, tranquila. Temos os instrumentos, mas estamos rodeados por um pensamento atrasado que impede que médicos cumpram a vontade de pacientes e ponham fim à vida destes. Felizmente, alguns países seculares evoluíram e permitem o suicídio assistido.
O “Exit – ADMD” (Association pour le Droit de Mourir dans la Dignité, ou Associação pelo Direito de Morrer com Dignidade), funciona na Suiça desde 1982 e vem praticando o suicídio assistido de enfermos terminais ou em grande sofrimento psicológico. Segundo as pesquisas, 87% dos suíços aprovam a decisão. Em 2005, o Exit recebeu 202 pedidos de suicídio assistido e 54 foram executados. "Para muitos doentes, saber que serão ajudados se quiserem mesmo partir os acalma, e eles adiam a decisão", diz o doutor Sobel. "A possibilidade legal de um suicídio assistido não aumentou a demanda, muito ao contrário — e esse é um dos principais benefícios de uma legislação liberal”.
Um caso bem tocante, que virou filme, foi o de Ramón Sampedro contado no filme “Mar Adentro”. Lá vemos a história de um espanhol que ficou tetraplégico após um mergulho e viveu 29 anos após o acidente sendo cuidado por seus familiares e lutando pelo direito de “morrer dignamente”, como ele mesmo dizia. Seu caso foi levado aos tribunais em 1993 para conseguir a legalidade da eutanásia, mas o pedido foi negado. Na carta de Sampedro destinada aos juízes, em 13 de novembro de 1996, desdobra-se uma ideia que aparece repetidas vezes no filme: “viver é um direito, não uma obrigação”. Assim, Ramón coloca em cheque a regulação da vida e da morte pelo Estado e pela Igreja e acusa “a hipocrisia do Estado laico diante da moral religiosa”.
Há ainda um ponto muito interessante que Sampedro deixa bem claro em seus diálogos tensos defendendo o direito de tirar a própria vida. Sempre que lhe dizem que há outros na mesma condição felizes e querendo viver, ele deixa bem claro: “Não posso falar por eles, tanto quanto eles não podem falar por mim”, ou seja, o desejo pela vida é individual. Se você quer manter a sua vida, façamos de tudo para ajudá-lo. Se você quer tirar, também deveríamos ajudá-lo – o que não ocorre numa sociedade veladamente religiosa.
Eu vou ainda além da eutanásia que precise ser justificada por alguma enfermidade. A morte deveria ser um direito e todos que a desejassem deveriam poder morrer de forma digna. Se não os ajudarmos, continuaremos a ver pessoas se enforcando, se jogando de prédios e toda a forma de suicídio chocante. Claro, não devemos criar um abatedouro de seres humanos. Há pessoas que podem se curar de um grande sofrimento psicológico com o devido apoio. Mas todos, sem exceção, deveriam ter acesso à morte digna, sem sofrimento.
Se há algo de humano na eutanásia é justamente o alívio do sofrimento. Se há algo de desumano e abjeto aos que são contra isso é justamente no fato destes se acharem donos da vida alheia e impedir o próximo de exercer sua liberdade enquanto ser vivo. Podemos lamentar, mas nunca impedir que o outro faça o que quiser em questões de foro íntimo. Não estou dizendo que não devemos tentar convencer um suicida a sair do parapeito da janela. Mas não temos o direito de prolongar o sofrimento alheio, ainda mais quando ninguém sairá ganhando no final.
Afinal, o que conseguem de bom os parentes de um doente terminal que agoniza incessantemente até o último suspiro? Por que alguns se sujeitam a viver em uma infinita agonia à espera que uma pessoa querida saia de um estado vegetativo? Melhor desaguar de vez as lágrimas de luto e seguir a vida do que se deixar ser atormentado pela preocupação com um quase-morto mantido quente com ajuda de aparelhos. Aliás, quanto egoísmo nosso trancafiar um ser em seu corpo apenas para que NÓS não soframos, não? Prolongamos o suplício de um indefeso para nos livrar de passar pela experiência de perder alguém querido. Recado para estes incautos: a morte chega para todos, cedo ou tarde. Aceitá-la traz conforto, não desespero.
Sobre ser um ateu, um humanista secular
Carl Edward Sagan, astrônomo, foi e ainda é um dos grandes expoentes do humanismo secular. Divulgou de forma apaixonada a ciência contra o obscurantismo religioso e pseudocientífico, além de ser um grande ativista contra a iminente guerra nuclear entre EUA e Rússia durante a Guerra Fria.
A definição de um ateu e de um humanista geram debates até hoje entre filósofos. Não sou eu quem se atreveria a estabelecer mais uma definição aqui. Mas vale mostrar, na prática, como eu me comporto perante o mundo, pensando como penso. Muitos, estou certo, se identificarão com certas atitudes e ideias. Talvez, isso ajude aos religiosos entender melhor estas visões de mundo.
Primeiramente, sou ateu. Mas isso é uma consequência, não uma causa. A observação do mundo, o estudo de biologia, geologia (não, não precisa ser nada muito aprofundado) e de outras matérias me levaram a concluir, quase com certeza, de que não há nenhum deus. Não posso dar certeza absoluta, pois, estaria sendo dogmático. Tampouco me definiria como “agnóstico”, pois, as evidências de que tudo tem causas puramente naturais superam com ampla vantagem as evidências (?) de que há um mundo sobrenatural, com deus ou deuses.
Após me perceber como ateu, aos poucos, meu o modo de olhar e interagir com o mundo mudou. Eu percebi, por exemplo, a interferência perniciosa da religião nos governos e me posicionei radicalmente contra este tipo de usurpação do poder secular. Por fim, e graças à LiHS, percebi que eu já era um humanista secular. Não, não precisei estudar nada para isso. Apenas observei o que definiam genericamente como tal e percebi que me encaixava. Neste caso, além de ateu, o que é ser um humanista secular? Não posso falar por todos, mas por mim. Então, vejamos...
Bem, não me importa que as pessoas não gostem de homossexuais, tanto quanto não me incomoda alguém preferir pagode à rock. Mas me incomoda quando tratam homossexuais de forma diferenciada, restringindo-lhes direitos e detratando-os por uma condição que, natural ou não (isso nem importa), diz respeito apenas a eles mesmos.
Também não me importa que as pessoas rezem. Não me incomoda, sequer, que me peçam para participar de uma breve oração antes de uma ceia de Natal. Mas me incomoda, profundamente, que insistam em evangelizar outrem e, no caso de insucesso, partir inclusive para a agressão, seja verbal ou física.
Não me incomoda que discordem radicalmente das minhas ideias. Não me importo, sequer, em descobrir que eu estava totalmente errado. Mas me incomoda quando deixam de discutir ideias e passam a discutir pessoas, partindo para a agressão desnecessária.
Além disso, não me incomoda que as pessoas tenham e pratiquem sua religião. Eu acho até bonitas aquelas igrejas góticas enormes, o coro de crianças, a arte sacra, etc. Mas me incomoda imensamente quando a fé é usada para manipular e extorquir pessoas que, na grande maioria das vezes, realmente acreditam nas boas intenções dos clérigos.
Acho aceitável, ainda, que as pessoas acreditem em dogmas absurdos. Muitas pessoas precisam disso, ainda mais em momentos de desamparo. Mas me incomoda, e muito, quando querem externalizar e universalizar dogmas, impedindo o avanço da ciência ou o tratamento igualitário que o Estado deveria dar aos seus cidadãos.
Como os religiosos, também me incomoda quando zombam desnecessariamente de figuras sagradas. É um tipo de provocação gratuita que não tem retorno positivo algum. Mas me incomoda muito mais quando um fanático decide levar isso até as últimas consequências, matando o zombador.
E o que mais me incomoda, e isso só veremos na religião, são pessoas clamando e declarando que só querem a paz. Só que, na contramão de seus desejos, guerreiam, matam, escravizam e humilham grupos inteiros. Que mundo querem construir assim?
É por causa deste tipo de imposição (pessoas querendo que o mundo seja exatamente do jeito que seus deuses exigem) que o humanista secular deve se informar, deve se posicionar e deve dialogar com a sociedade. Neste ponto, devemos entender que o diálogo deve ser amigável e conciliador, nunca um gesto de humilhação e desprezo pelo modo de pensar alheio. Infelizmente, nem sempre conseguiremos tudo o que consideramos ser melhor para o mundo, já que somos minoria absoluta. Mas se chegarmos ao meio-termo, já teremos cumprido brilhantemente o papel que nos cabe (ou, ao menos, cabe àqueles que decidirem se engajar na construção de um mundo mais secular).
Ser ateu e humanista secular é apenas um rótulo. Isso não implica em obrigações nem deveres. Mas eu, pessoalmente, me incomodo com uma série de coisas, conforme citei acima. E, definitivamente, não pretendo ficar parado. Dentro dos meus conhecimentos, dentro das minhas possibilidades, trabalho para mitigar aqueles problemas. Isso não me torna melhor nem pior do que ninguém. Apenas faz eu me sentir bem comigo mesmo por estar trabalhando por um mundo melhor, mais justo e pacífico para todos.
Camisetas israelenses estampam atrocidades contra palestinos
A imagem de crianças mortas, mães chorando sobre o túmulo de seus filhos, uma arma apontada para uma mãe grávida com os dizeres “1 tiro, 2 mortos”, uma mãe chorando com o bebê nos braços e um ursinho abaixo e os dizeres: “Melhor usar Durex”. No caso, todas as vítimas são árabes palestinos.
As cenas são cruéis. Mas soldados israelenses as fazem sob encomenda. Inventam um desenho, um slogan e estampam camisas com as quais costumam treinar nos quartéis. Chega a ser inevitável, numa guerra, o surgimento de um sentimento de vingança e ódio mútuo. O problema é que os soldados parecem que estão esquecendo contra quem estão lutando. Eles estão lutando (ou deveriam) contra combatentes, paramilitares ou não. É o mínimo de humanismo, mesmo numa guerra, enfrentar apenas quem lhe ameaça, no caso, integrantes do exército inimigo. Mas uma mãe e um bebê?
Talvez você retruque algo como: “Ah, mas a mãe do soldado inimigo apóia seu filho” ou “A mãe irá criar um filho para combater o inimigo”. Ainda assim, não constitui crime! Há mães que perdoam os filhos até mesmo depois de serem maltratadas por estes! É claro que uma mãe palestina ficará do lado do seu filho, assim como uma mãe israelense fica do lado do seu mesmo sabendo que ele está lá no campo matando dezenas de pessoas, inclusive inocentes. Então é algo que não podemos aceitar. Não podemos perder mais este resquício daquilo que nos torna humanos, que nos diferencia dos demais animais e que nos permite fazer um mundo melhor para todos: nossa humanidade. Não podemos achar normal uma monstruosidade dessas. Assistimos à desconstrução de valores básicos para vivermos neste mundo, que é o respeito à vida (ainda mais de inocentes).
Isso mostra que estes soldados matarão inocentes sem titubear e ainda sentir-se-ão orgulhosos disso! E aí quando vier a imprensa e falar que os israelenses estão matando inocentes em suas incursões avassaladoras sobre a Faixa de Gaza, enquanto o governo nega, em quem irão acreditar? Quer ver?
Recentemente, o relator especial da ONU os Direitos Humanos, Richard Falk, acredita que há razões suficientes para concluir que a ofensiva israelense na Faixa de Gaza é um crime de guerra de grande magnitude porque não poderia ser realizada se não era possível distinguir os objetivos civis dos militares. Advinha qual foi a reação do governo de Israel? Fazer-se de vítima, de perseguido, de coitado, de inocente:
"Infelizmente, trata-se de um exemplo a mais de uma atitude unilateral, parcial e injusta do Conselho deDireitos Humanos da ONU em relação a Israel", declarou à AFP Mark Regev, porta-voz do atual primeiro-ministro, Ehud Olmert.
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