quarta-feira, 27 de abril de 2011
MARAVIDA (GONZAGUINHA)
Era uma vez eu no meio da vida
Essa vida assim, tanto mar, tanto mar
Coisa de doce e de sal
Essa vida assim, tanto mar, tanto mar
Sempre o mar, cores indo
Do verde mais verde ao anil mais anil
Cores do sol e da chuva
Do sol e do vento, do sol e o luar
Era o tempo na rua e eu nua
Usando e abusando do verbo provar
Um beija-flor, flor em flor, bar em bar
Bem ou mal margulhar
Sempre menina franzina, traquina
De tudo querendo, provar e provar
Sempre garota, marota, tão louca
A boca de tudo querendo levar
Vida, vida, vida
Que seja do jeito que for
Mar, amar, amor
Se a dor quer o mar dessa dor, ah!
Quero no meu peito repleto
De tudo que possa abraçar
Quero a sede e a fome eternas
De amar, e amar e amar...
Vida, vida, vida.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Do Manifesto Antropófago (Oswald de Andrade, 1928)
Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.
domingo, 24 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
ATEÍSMO POSITIVO (FERNANDO SIVA)
ALGUMAS IDEIAS PARA AQUELES QUE CONSIDERAM ATEUS SERES DEMONÍACOS:
Ateus não seguem dogmas. Procuram pensar com a própria cabeça e fazer o que lhes parece certo, porque é certo e não porque “está escrito”, nem porque esperam uma recompensa em outra vida ou têm medo do inferno. Embora tenham defeitos como todo ser humano, estão livres para ser mais tolerantes em relação ao que os outros pensam, porque acham que opinião própria é o direito de cada um. Eles não têm uma religião que lhes diga, a priori e sem justificativas, o que aceitar ou não. Não têm nenhum motivo, além de possíveis razões pessoais, para discriminar mulheres ou homossexuais. Podem se dedicar mais a melhorar este mundo, o único que eles conhecem, em lugar de apenas esperar pela hora de ir para o céu, sem o conformismo de aceitar que “as coisas são assim mesmo” ou “é a vontade de Deus”. Não desperdiçam a vida em orações improdutivas fechados em um convento. Um ateu não se vê como um joguete na luta entre Deus e o Diabo pela sua alma; ele é o único responsável pelos seus atos. Ele tem toda a culpa pelos seus erros e todo o mérito pelos seus acertos.
Ateus não seguem dogmas. Procuram pensar com a própria cabeça e fazer o que lhes parece certo, porque é certo e não porque “está escrito”, nem porque esperam uma recompensa em outra vida ou têm medo do inferno. Embora tenham defeitos como todo ser humano, estão livres para ser mais tolerantes em relação ao que os outros pensam, porque acham que opinião própria é o direito de cada um. Eles não têm uma religião que lhes diga, a priori e sem justificativas, o que aceitar ou não. Não têm nenhum motivo, além de possíveis razões pessoais, para discriminar mulheres ou homossexuais. Podem se dedicar mais a melhorar este mundo, o único que eles conhecem, em lugar de apenas esperar pela hora de ir para o céu, sem o conformismo de aceitar que “as coisas são assim mesmo” ou “é a vontade de Deus”. Não desperdiçam a vida em orações improdutivas fechados em um convento. Um ateu não se vê como um joguete na luta entre Deus e o Diabo pela sua alma; ele é o único responsável pelos seus atos. Ele tem toda a culpa pelos seus erros e todo o mérito pelos seus acertos.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Há pessoas que não sabem quando partir...
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde
Chico Buarque
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Assino embaixo...ele é genial
O baixo astral
Enquanto dura o baixo astral, perco tudo. As coisas caem dos meus bolsos e da minha memória: perco chaves, canetas, dinheiro, documentos, nomes, caras, palavras. Eu não sei se será mal olhado. Pura casualidade, mas às vezes a depressão demora em ir embora e eu ando de perda em perda, perco o que encontro, não encontro o que busco, e sinto medo de que numa dessas distrações acabe deixando a vida cair.
Eduardo Galeano
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Sonhar um sonho impossível... Lutar, onde é fácil ceder....Vencer , o inimigo invencível...Negar quando a regra é vender... Romper a incabível prisão... Voar, no limite improvável.... Tocar o inacessível chão! Ë minha lei, é minha questão. Guiar este mundo, cravar este chão.
Chico Buarque de Holanda
terça-feira, 19 de abril de 2011
Solidão
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…Isto é carência. Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar… Isto é saudade. Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos… Isto é equilíbrio. Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida… Isto é um princípio da natureza. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado… Isto é circunstância. Solidão é muito mais que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa Alma.
Francisco Buarque de Holanda
Mais Galeano...
A burocracia/3
Sixto Martínez fez o serviço militar num quartel de Sevilha. No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia por que se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita por que sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito.
E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias, que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca. (Eduardo Galeano)
E assim continua, mesmo sem saber por que ou se algo que está sendo feito atende às necessidades do contexto, é comum ouvir: "Sempre foi assim, por que fazer diferente?" Logo, cria-se o círculo chamado vicioso, o qual ainda tem um sem número de fãs. Ah, triste ser humano...
segunda-feira, 18 de abril de 2011
O MUNDO
Um homem da aldeia de Negua; no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.
Eduardo Galeano
quarta-feira, 13 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Saramago e a delicadeza da Morte
Em seu livro As Intermitências da Morte, Saramago transforma a tão temida morte em um ser sensível, apaixonante e apaixonado. Imperdível, deleitem-se com um trecho:
"Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.", página 214
"Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.", página 214
Vida!
Agora que aprendi a postar imagens, vou usá-las como uma opção de linguagem. Lógico que as imagens dirão sobre pessoas que amo e admiro e coisas importantes para mim!!!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
Lope de Vega - poeta e dramaturgo espanhol
POEMAS ESCOLHIDOS
Abater-se, atrever-se, estar furioso,
áspero, brando, liberal, esquivo,
animado, exaurido, morto, vivo,
leal, traidor, covarde, corajoso,
não ver, fora do bem, centro e repouso,
mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,
desgostoso, valente, fugitivo,
satisfeito, ofendido, temeroso;
furtar o rosto ao claro desengano,
beber veneno por licor suave,
esquecer o proveito, amar o dano;
acreditar que o céu no inferno cabe,
ceder a vida e a alma a um desengano;
isto é amor, quem o provou bem sabe.
áspero, brando, liberal, esquivo,
animado, exaurido, morto, vivo,
leal, traidor, covarde, corajoso,
não ver, fora do bem, centro e repouso,
mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,
desgostoso, valente, fugitivo,
satisfeito, ofendido, temeroso;
furtar o rosto ao claro desengano,
beber veneno por licor suave,
esquecer o proveito, amar o dano;
acreditar que o céu no inferno cabe,
ceder a vida e a alma a um desengano;
isto é amor, quem o provou bem sabe.
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